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Ucrânia liberta assassinos da prisão para lutar contra a Rússia

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Guerra na Ucrânia completa 2 anos neste sábado

Para enfrentar a escassez de soldados na linha de frente na guerra, a Ucrânia adotou uma estratégia similar à da Rússia. O país decidiu liberar criminosos condenados, inclusive por homicídio, se eles aceitarem lutar em brigadas de alto risco.

Desde maio, quando o Parlamento aprovou uma lei que autoriza o alistamento de condenados, mais de 2,7 mil homens foram libertados das prisões ucranianas. Entre os crimes estão tráfico de drogas, roubo e até homicídios. As informações são do jornal The Washington Post.

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Em busca de vingança ou reparação pessoal, esses homens agora vestem uniformes militares e se dirigem para a linha de frente da guerra. Senya Shcherbyna, de 24 anos, preso por tráfico, espera ser enviado em breve.

“Acho que posso me redimir e ser mais útil para minha sociedade do que se eu apenas ficar aqui sentado”, afirmou.

Prisioneiros têm dúvidas sobre tratamento

Serhii Lytvynenko, que cumpriu 11 anos de uma sentença de 14 por assassinato, ainda tem dúvidas. “Não tenho certeza se eles realmente vão nos tratar como soldados normais”, disse ele. “Não sabemos se eles vão nos pegar e nos jogar como isca.”

A prática de recrutar criminosos é comum na Rússia e reflete a luta da Ucrânia para repor suas forças depois de mais de dois anos de combates contínuos. Apesar da nova lei, a Ucrânia ainda enfrenta dificuldades para encontrar combatentes.

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Nova legislação e expectativas

A nova legislação permite que prisioneiros se juntem a brigadas de ataque e enfrentem as tropas russas diretamente. O Ministro da Justiça, Denys Maliuska, espera que pelo menos 4 mil homens se voluntariem na primeira fase.

Até o momento, os condenados servirão em unidades compostas apenas de ex-prisioneiros, sob comando de um soldado regular. “A motivação de nossos detentos é mais forte do que a de nossos soldados comuns”, disse Maliuska. “Sua liberação é apenas uma parte da motivação. Eles querem proteger seu país e virar a página.”

Motivações pessoais dos prisioneiros

Dmytro, de 28 anos, foi condenado por roubo de telefone e perdeu sua família em um ataque aéreo. “A Rússia é responsável por isso”, disse ele, motivado a lutar.

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Edward, de 35 anos, condenado por assalto à mão armada, sempre sonhou em ingressar no Exército. Ele foi o primeiro a se alistar quando a lei foi aprovada e agora está em treinamento.

Regras de mobilização e recrutamento nas ruas

Sob as leis de mobilização atuais, homens e mulheres podem se inscrever para lutar a partir dos 18 anos, mas só homens com 25 anos ou mais podem ser convocados. O presidente Volodymyr Zelensky não reduziu mais a idade de recrutamento para proteger os jovens.

Oficiais de recrutamento abordam homens em idade de combate nas ruas e oferecem benefícios financeiros aos que se voluntariam antes de ser convocados. Agora, os militares visitam prisões em busca de voluntários.

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Restrições e qualificações

Nem todos os criminosos se qualificam. Aqueles com crimes graves, como múltiplos homicídios ou violência sexual, estão inelegíveis. Os prisioneiros devem estar fisicamente aptos, passar por um exame psicológico e ter no máximo 57 anos.

Oficiais ucranianos afirmam que o programa é constitucional, ético e prático em tempos de guerra. Diferente da Rússia, onde o grupo mercenário Wagner lidera o recrutamento, os condenados ucranianos serão integrados ao Exército oficial e receberão os mesmos benefícios que os soldados regulares.

Oleh Petrenko, recrutador para a 3ª Brigada de Assalto Separada, afirmou que as tropas ucranianas devem tratar os novos soldados de forma igualitária para motivar mais prisioneiros a se alistarem. “Precisamos mostrar que não somos iguais aos russos.”

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Aceitação e preocupações entre comandantes

Alguns comandantes estão ansiosos para receber os novos soldados. “Há uma competição entre os comandantes militares para contratar das prisões”, disse Maliuska. “Há falta de recrutas, então, eles realmente querem ter acesso.”

“Ninguém confia nos resultados dessa medida, mas precisamos”, disse um oficial militar que pediu anonimato. Ele teme que os prisioneiros causem desordem ou abandonem suas posições. “Todos vão correr como Forrest Gump”, comentou.

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