Toffoli elimina provas da Lava Jato e PGR silencia

Em um editorial intitulado “Orfandade institucional”, o Estadão questionou o silêncio da Procuradoria Geral da República (PGR) diante das “canetadas” do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para riscar dos autos as provas que foram entregues voluntariamente às autoridades pelos implicados na Operação Lava Jato.

Toffoli anulou as provas que foram apresentadas por diretores e gerentes da Petrobras durante os governos do PT e por executivos das maiores empreiteiras do país, entre elas, a Odebrecht.

Apontando como um “silêncio ensurdecedor”, o Estadão afirma que o STF não é a “única instituição que tem provocado o “sentimento misto de abandono e indignação em muitos cidadãos que acompanham os desdobramentos da Lava Jato nos últimos anos”.

O editorial acusa o Ministério Público (MP), em particular a PGR, como tendo “grande parcela de responsabilidade na espécie de orfandade institucional”.

A Constituição de 1988 e o MP

Fazendo uma retrospectiva, o jornal ressalta que a PGR cometeu muitos erros na questão da Operação Lava Jato, quando Rodrigo Janot à frente fez a instituição agir “orientada politicamente e imbuída de um espírito salvacionista”, recusando críticas aos métodos do MP sob alegação de que isso seria uma “ameaça à Lava Jato”.

Tais atitudes, segundo o Estadão, têm reflexos no presente quando “criminosos confessos chegam a debochar da sociedade posando de injustiçados”.

A gestão de Augusto Aras e o fim da Lava Jato

A gestão de Augusto Aras também foi mencionada no texto como uma “adesão ao chamado antilavajatismo”, sendo apontada como o oposto de Janot e enterrando de vez a Operação.

“A Lava Jato acabou por seu maior vício: ter se movido politicamente. Logo, quando mudaram os ventos da política nacional, uma nova visão sobre a operação, chamemos assim, se impôs”, afirma o Estadão.

Gonet Lula
Paulo Gonet foi o indicado pelo presidente Lula para assumir a PGR | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Considerando que o novo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, está no cargo há apenas dois meses, o Estadão destaca que ainda é desconhecida a marca que ele imprimirá à PGR.

“Mas causa calafrios o silêncio do procurador-geral diante dessa série de decisões monocráticas do ministro Dias Toffoli livrando a Odebrecht e a J&F do pagamento das multas bilionárias com o qual as empresas se comprometeram ao assinar seus acordos de leniência”, conclui.

O editorial termina lembrando que, embora estejam surgindo informações de que a PGR vai recorrer das decisões, até o momento, nenhuma ação foi tomada.

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