Soldados israelenses terão de enfrentar o Hamas dentro dos túneis, diz militar do país

A incursão de Israel pela Faixa de Gaza entrará em momentos decisivos nos próximos dias. O país tem alertado que cercou a Cidade de Gaza e outras áreas no norte de Gaza. Nesse momento, prevalece a estratégia.

Mas, em pouco tempo, uma ação mais intensa das tropas em terra também será inevitável, conforme afirma o militar Jairo Gawendo. Ele já esteve em ações pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) e é reservista.

“Está começando a parte mais difícil”, diz Jairo Gawendo, especialista em segurança e formado em História de Israel pela Universidade Bar-Ilan.

Gawendo, que tem nacionalidades brasileira e israelense, serviu na unidade antiterror Golani, uma das que mais estão em ação em Gaza no momento. “Israel está cercando e estrangulando a Cidade de Gaza, acredito que agora se iniciarão as batalhas mais sangrentas.”

Ele morou por 15 anos em Israel. Passou seus primeiros cinco anos no kibutz Karmia a 3 km da Faixa de Gaza, antes de se mudar para Tel-Aviv.

O especialista conhece a região que foi atacada e também a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, onde atuou por um tempo. Sua principal região de atuação, porém, foi no Sul do Líbano, na qual Israel também tem enfrentado ataques do Hezbollah.

Pelo que conhece das variáveis neste tipo de ação, Gawendo considera que essa guerra terá de se transferir para dentro dos túneis.

“Muita coisa ainda vai acontecer, principalmente no subterrâneo”, diz.

Isso porque as FDI têm como principal objetivo o resgate dos sequestrados nos ataques terroristas. De alguma maneira, essa situação trava as ações dos militares israelenses.

“A grande incógnita são os reféns”, continua. “Como provavelmente os reféns estão no subtterraneo, é descartado o uso dessas bombas no momento.”

Gawendo se mantém como reservista morando no Brasil, o que é permitido. Ele prevê uma batalha de trincheiras. “Porém dentro dos túneis. Infelizmente os soldados terão de descer lá. 500 km de guerra subterrânea.”

Entrar em Gaza, na cidade, não vai ser fácil”, considera Gawendo. “Serão várias armadilhas e emboscadas, vai ser uma guerra de guerrilha.”

A vantagem de Israel, em predomínio nesta guerra, são as escoltas e os equipamentos de apoio.

Civis são liberados para o sul

Os combates ainda deverão durar algum tempo, segundo ele. Gawendo vê que o recurso dos escudos humanos já está se esgotando para os terroristas, mais isolados.

“Sem dúvida, os terroristas do Hamas perdem muito deste recurso dos escudos humanos, usado posteriormente para propaganda e disseminação de fake news de que Israel de forma deliberada atinge alvos civis criando esse tal de suposto ‘genocídio étnico’”.

O momento agora é isolar o norte para liberar os civis para o sul.

“A estratégia é, enquanto ao sul, seriam deslocados os civis e ficando mais próximos da fronteira com o Egito, ao norte se dariam as operações para sufocar os terroristas destruindo suas edificações, tuneis e baterias de misseis”, diz.

Ele acrescenta. “Além disso, também eliminando fisicamente os que demonstrarem resistência e tentando localizar a maior quantidade possível de reféns.”

Quando essa etapa for concluída, haverá outra.

“Quando a fase norte estiver consolidada, aposto em um segundo deslocamento de civis, para criar possibilidade de combates do lado sul.”

Conforme informou o boletim da Alma Research, com base em informações diretas de Gaza, está cada vez mais clara a utilização de alvos civis e escudos humanos por parte do Hamas. E as batalhas próximas a túneis já estão ocorrendo.

As tropas das FDI descobriram nesta quarta-feira, 8, um grupo terrorista escondido dentro de uma mesquita. Quando os terroristas saíram da mesquita em busca de um túnel próximo, as tropas usaram apoio aéreo para eliminar a célula.

Os terroristas do Hamas lançaram ainda mísseis antitanque contra as tropas das FDI a partir de vários locais, incluindo aqueles perto de hospitais. As tropas, escoltadas por um helicóptero, que realizou disparos de extração, atingiram a origem dos lançamentos.

Tropas das FDI mataram ainda três terroristas e descobriram lançadores de foguetes escondidos e armas adicionais dentro de uma escola no norte de Gaza.

A escola foi utilizada como local de lançamento de morteiros e foguetes, bem como de ações terroristas. Também foram destruídos vários morteiros e posições de lançamento de mísseis antitanque.

A tendência, com isso, é que a quantidade de foguetes lançados em direção a Israel comece a diminuir.

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