Petrobras quer gastar US$ 100 bi com energia renovável

Em apresentação de plano de investimento de mais de US$ 100 bilhões (quase de R$ 500 bilhões), Jean Paul Prates, atual presidente da Petrobras, disse que a empresa brasileira pretende ser um dos últimos produtores de petróleo do planeta. O planejamento é concentrado na exploração e produção de petróleo offshore.

Ao jornal britânico Financial Times, Prates disse que a Petrobras está considerando uma nova onda de expansão internacional na Europa, África Ocidental e Américas como parte de uma reformulação estratégica.

A estatal também quer que o Brasil seja líder em energia eólica offshore. As movimentações de Prates seguem o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estabelecer a Petrobras como um grupo energético “diversificado”.

Os novos objetivos da Petrobras

Rio de Janeiro
Energia eólica offshore está na mira da Petrobras | Foto: Ocean Winds/Divulgação

No geral, a Petrobras planeja gastar US$ 7,5 bilhões (mais de R$ 37 bilhões) em exploração nos próximos cinco anos. A empresa pretende perfurar 50 poços, principalmente em águas brasileiras.

De acordo com analistas, o aumento da produção de reservas offshore conhecidas como pré-sal, localizadas na costa sudeste, é vantajoso para o Brasil. É estimado que o país seja impulsionado para as cinco maiores nações produtoras de petróleo até o final da década.

Na busca por novos poços, a Petrobras identificou uma área marinha de 2.200 km ao longo da costa norte do Brasil. A área é chamada margem equatorial.

A empresa está recorrendo da decisão de órgãos ambientais, que negaram licença para explorar a principal seção da região, localizada a 500 km da foz do Rio Amazonas. 

Jornal lembra que estatal foi epicentro de escândalo de corrupção

Lula Petrobras Estadão
Presidente Lula e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Financial Times lembra que “a Petrobras foi o epicentro de um escândalo de corrupção durante o mandato anterior, com propinas pagas em troca de contratos de construção superfaturados”, em referência ao Petrolão, esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. Dezenas de executivos e de agentes admitiram o desvio de dinheiro público em forma de propina.

O jornal também cita a “má gestão e interferência política” que causaram bilhões de dólares em prejuízos à estatal, “seja por meio de subsídios a combustíveis ou projetos de construção de refinarias que estouraram o orçamento”.

A empresa aumentou seu orçamento de capital de cinco anos em 31%, com quase três quartos dedicados à exploração e produção.

Executivos planejam retomar os negócios em áreas como petroquímica, energia renovável e fertilizantes, juntamente com investimentos aumentados em refino e biocombustíveis.

No caso dos fertilizantes, a Petrobras assinou um contrato com a Unigel em 29 de dezembro do ano passado para retomar as atividades das fábricas de fertilizantes da petroleira que estão arrendadas para a empresa na Bahia e em Sergipe.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já indicou que o negócio pode causar prejuízo de mais de R$ 500 milhões. A Corte afirma que há “indícios de irregularidades” no acordo, como falha nas justificativas para a realização do negócio, falta de assinatura de instâncias superiores da companhia no contrato e o fato da Petrobras assumir os riscos do negócio em um cenário de mercado desfavorável.

No refino, Lula anunciou a retomada das obras da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco. Essa obra, que custou oito vezes mais do que o valor previsto inicialmente, se tornou símbolo da corrupção nos governos do PT. Um executivo da Odebrecht, em acordo de delação, disse que apenas aquela obra havia gerado R$ 90 milhões em propina para políticos do PT, PSB e PP.

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