Os Friends riem por último

Eu sempre tive um problema com a série Friends — as risadas da plateia. Aquela claque sempre significou para mim um tipo de sitcom ultrapassado em que o espectador tem hora certa para rir.

Hoje estou assistindo a Friends (na HBO+) desde o primeiro capítulo — e rindo junto com a plateia. É uma alegria ver como uma série produzida a partir de 1994 podia ser tão livre em seu humor. A praga das políticas identitárias ainda não havia transformado o mundo ocidental nesse lugar chato e sem graça. Em Friends os temas de humor são livres e naturais. Há piadas com orientações sexuais, com o machismo dos rapazes, com as manias das garotas.

Durante o período de terror racista que se seguiu ao assassinato de George Floyd, uma das criadoras de Friends, Marta Kauffman, teve que se ajoelhar (metafóricamente) e pedir perdão (de verdade) por ter criado uma série estrelada por seis jovens brancos. Um Maluco no Pedaço é uma série de negros. Betty, a Feia é uma série de hispânicos. Will & Grace é uma série sobre gays. E ninguém mandou ninguém pedir perdão por isso.

Friends pode não ser a melhor série cômica de todos os tempos, mas essa perseguição política não afetou sua popularidade. Continua sendo imitada por outras produções, como New Girl. Mostra que a risada não pode ser comandada por extremistas de cabeça fraca. Ross, Monica, Rachel, Joey, Chandler e Phoebe, com toda a ingenuidade de seus personagens, e mesmo com as risadas meio mecânicas da plateia, se tornaram símbolos de um tempo mais livre e divertido.

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