Oposição reage à publicação do governo Lula

Parlamentares da oposição criticaram a publicação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mostra uma mão fazendo “toc, toc”, horas depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar um mandado de busca e apreensão contra o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos).

“Quando os agentes comunitários de saúde baterem à sua porta, não tenha medo, apenas receba-os”, diz o texto, de forma irônica. O perfil “Governo do Brasil” fica sob responsabilidade da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). 

✊✊✊ Quando os agentes comunitários de saúde baterem à sua porta, não tenha medo, apenas receba-os. ????

Com o aumento no números de casos de dengue no país, o trabalho dos agentes comunitários de saúde é essencial para a prevenção da doença. pic.twitter.com/GJtjO0zpZe

— Governo do Brasil (@govbr) January 29, 2024

A referência ao termo “toc, toc, toc” é usado nas redes sociais em alusão a um discurso antigo da ex-deputada Joice Hasselmann no plenário, referindo-se a uma possível operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

A mesma Secom, que tem uma conta diferente, utilizou seu perfil para divulgar uma imagem com o título “Grande dia!” — expressão frequentemente usada pelo ex-chefe do Executivo nas redes sociais.

Ex-juiz da operação Lava Jato, o senador Sergio Moro classificou a publicação como “deboche” e “ilegal”.

“A utilização sucessiva da propaganda oficial pela Secom para fazer deboche de adversários políticos é, além de ilegal, mais um sinal de que este Governo Lula confunde o público com o privado”, escreveu Moro no X/Twitter. “No mais, revela o despreparo do atual secretário.”

Aliado do ex-presidente, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que acionaria a Justiça e chamou a publicação de “absurda”.

“Diante do uso da máquina pública federal pelo governo para fazer indiretas a oposição, sobre investigações da polícia federal, por clara ofensa ao princípio da impessoalidade e moralidade, estou acionando hoje a justiça”, escreveu Nikolas no X/Twitter. “É um absurdo um comportamento desses com o uso do dinheiro público para perseguir adversários.”

Operação da Polícia Federal contra Carlos Bolsonaro

Carlos Bolsonaro
Foto: Reprodução/@carlosbolsonaro

Carlos Bolsonaro foi alvo, na manhã desta segunda-feira, 29, da Operação Vigilância Aproximada. A ação está relacionada a um suposto monitoramento ilegal, conduzido pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Bolsonaro.

Entre 2019 e 2022, um programa secreto chamado First Mile teria sido usado para monitorar a localização de políticos, jornalistas, advogados e adversários de Bolsonaro. Os dados estariam armazenados fora do Brasil. Conforme o diretor-geral da PF, Andrei Passos, a espionagem atingiu 30 mil brasileiros.

Além do filho do ex-presidente, assessores também estariam na mira da operação. As ações de busca e apreensão foram autorizadas tanto para a residência quanto para o gabinete de Carlos Bolsonaro, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

De acordo com a PF, essa nova operação de segunda-feira busca atingir o núcleo político, identificando os principais “destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente no âmbito da Abin”.

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