Jogador de futebol retorna da guerra e é aplaudido em Israel

O jogador de futebol, de origem etíope, Menashe Zalka, de 33 anos, é uma das figuras mais respeitadas em Israel no momento. No dia 7 de outubro, logo depois dos ataques terroristas do Hamas, que deixaram 1,2 mil mortos e no qual mais de 230 pessoas foram sequestradas, ele se apresentou para a guerra em sua unidade.

Como reservista, atuou entre os paraquedistas da 6226, da Raven Company. Durante 115 dias combateu na Região Norte de Israel, contra ataques do grupo terrorista Hezbollah, em apoio ao Hamas, vindos do Líbano.

Em meados de janeiro, quando foi dispensado dentro dos planos das Forças de Defesa de Israel (FDI), Zalka voltou aos treinos no Hapoel Hadera, equipe onde atua desde 2012 e que disputa a Premier League israelense.

Nascido em Addis Abeba, ele se tornou um símbolo para todos os torcedores israelenses do futebol e do esporte durante a guerra. Sua imagem remete à união do país, por ele ser descendentes de judeus que imigraram da Etiópia, chamados falashas, que foram recebidos em Israel nos anos 80.

Os judeus negros da Etiópia, durante quase 3 mil anos, mantiveram a fé e identidade. Falam hebraico, vão a rezas e obedecem o shabat (sábado), dia sagrado de descanso. Encararam a fome, a seca e as guerras tribais africanas.

Estudos indicam que eles são parte de uma das dez tribos perdidas, a de Dã, e seus ancestrais remontariam ao rei Salomão e à rainha de Sheba (Sabá). Essas tribos perdidas, que faziam parte das 12 tribos judaicas, desapareceram exiladas por Senaqueribe, rei do Império Neoassírio, por volta de 700 a.c e nunca mais se teve notícias delas.

Operações de resgate de Israel

Sinagoga na Etiópia falashas
Sinagoga na Etiópia frequentada pelos falashas | Foto: Reprodução/YouTube

Somente em 1975, os falashas foram reconhecidos pelo Estado de Israel como descendentes das tribos perdidas. E entre 1984 e 1985, uma grande fome deixou os falashas em situação calamitosa.

Durante a tentativa de ir por conta própria para Israel, cerca de 4 mil morreram. O governo israelense, então, entrou em cena para resgatá-los, por meio de operações especiais nos anos seguintes. Acostumados a uma vida tribal, os falashas se instalaram em Israel e conheceram o estilo de vida ocidental.

As gerações que imigraram e seus descendentes passaram a ter um vínculo muito forte com o país, como cidadãos locais. Zalka, em seu retorno, foi homenageado pelo seu clube.

O reencontro de Zalka com os jogos de futebol ocorreu nesta quarta-feira, 31, contra o Maccabi Petah Tikva. O presidente das Ligas de Israel, Erez Kalfon, o homenageou antes da partida.

“Estamos felizes em ver aqui hoje, depois de 115 dias como jogador do Hapoel Hadera, Menashe Zalka”, disse o dirigente. “Menashe serviu desde o início da Operação Espadas de Ferro e não pela primeira vez colocou o Estado de Israel antes de sua carreira esportiva.”

Zalka foi aplaudido por todos os torcedores.

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