Itamaraty critica corte de doações à agência da ONU em Gaza

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil expressou preocupação sobre o corte de doações à Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (Unrwa). Em comunicado divulgado nesta semana, o Itamaraty demonstra preocupação.

O motivo da suspensão é a denúncia de envolvimento de funcionários da agência com o grupo terrorista Hamas, no conflito armado contra Israel.

A medida de restrição à agência internacional que faz doações em Gaza parte de pelo menos dez nações, entre elas os Estados Unidos. O Itamaraty vê a ruptura como um risco de agravamento da crise humanitária no território palestino.

De acordo com a nota oficial, a pasta alegou que o cenário pode levar a um “colapso das atividades da agência”.

“As referidas denúncias não devem ensejar redução das contribuições imprescindíveis ao funcionamento da Unrwa, em cenário que pode levar ao colapso das atividades da agência, em contexto de grave crise humanitária em Gaza e em prejuízo do cumprimento de recente decisão, de caráter juridicamente vinculante, pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), sobre o imperativo de garantir o acesso humanitário aos cidadãos de Gaza”, afirmou o Itamaraty.

A agência prestou atendimento a mais de 1,4 milhão de pessoas em Gaza. O Itamaraty também comunicou que “o Brasil acompanha com atenção a investigação interna da ONU”, a respeito da suposta ligação entre os funcionários e o Hamas.

Agência da ONU tem, proporcionalmente, mais homens ligados ao Hamas do que Gaza

Um relatório de inteligência compartilhada entre os EUA e Israel revelou que 23% dos funcionários homens da Unrwa têm ligações com o Hamas, enquanto a média em Gaza é de 15% dos homens adultos. As informações surgiram na última segunda-feira, 29, a partir de apuração do jornal Wall Street Journal (WSJ).

Segundo o relatório, ao menos 12 funcionários da agência da ONU tiveram algum envolvimento com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro. Cerca de 1,2 mil pessoas morreram e 240 foram sequestradas no país.

O governo brasileiro reafirmou o pedido de interrupção dos ataques na região, além da imediata libertação dos reféns em poder do Hamas.

Conforme a nota oficial, o Itamaraty também reforçou o comprometimento do governo na defesa “de um Estado palestino economicamente viável convivendo lado a lado com Israel”.

Posicionamento de algumas autoridades

Na quinta-feira 1º, o comissário-geral da agência da ONU, Philippe Lazzarini, publicou em seu perfil no Twitter/X que a suspensão do financiamento pelos países já chega a US$ 440 milhões. Ainda, que poderia encerrar as atividades na região.

“Se o financiamento continuar suspenso, muito provavelmente seremos forçados a encerrar as nossas operações até o fim de fevereiro”, afirmou o comissário.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, relatou, na última quarta-feira, 31, que a ONU agiu imediatamente depois das acusações. “Ontem, me reuni com os doadores para ouvir as suas preocupações e para delinear os passos que tomaremos para resolvê-las”, relatou o secretário.

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