Israel retira diplomatas da Turquia depois de declarações pró-Hamas do presidente turco

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Eli Cohen, disse neste sábado, 28, ter convocado diplomatas que atuam na Turquia depois das “graves declarações” do presidente do país, Tyyip Erdogan.

“Dadas as graves declarações provenientes da Turquia, ordenei o regresso de representantes diplomáticos ao país, a fim de realizar uma reavaliação das relações entre Israel e a Turquia”, disse Cohen, em uma postagem no Twitter/X.

Cohen não especificou as declarações de Erdogan. Neste sábado, 28, o líder turco participou de uma manifestação pró-Palestina que reuniu milhares de pessoas em Istambul. Durante o ato, Erdogan disse que Israel comete crimes de guerra nos ataques à Faixa de Gaza.

Ele acusou o Ocidente de ser “o principal culpado pelos massacres em Gaza”. “Com exceção de algumas consciências que levantaram a voz, estes massacres são inteiramente obra do Ocidente”, disse o chefe do Estado turco.

Na quarta-feira 25, Erdogan disse que “o Hamas não é um grupo terrorista”. “É um grupo de mujahideen que defende a sua terra.” O termo mujahideen pode ser interpretado como “lutadores” ou até mesmo “patriotas”. Erdogan é presidente da Turquia desde 2014 e, entre 2003 e 2014, foi o primeiro-ministro do país.

A motivação do presidente da Turquia para criticar Israel e ‘abraçar’ o Hamas

Analistas políticos ouvidos pela agência Reuters disseram que o ostensivo apoio de Erdogan ao Hamas, especialmente nos últimos dias, tem motivação interna. Ele pretende ofuscar o noticiário do país sobre o aniversário de cem anos da moderna Turquia e de seu fundador, Mustafa Kemal Ataturk.

Com esse discurso, o líder turco mira a base política islâmica. Seu partido, o AK, de raízes islâmicas, estimou que um milhão de pessoas compareceram ao evento deste sábado, 28. Alguns vídeos foram postados nas redes sociais.

No discurso de uma hora de duração, Erdogan declarou que “apenas a nossa bandeira e a bandeira da Palestina irão tremular”.

“O simbolismo é claro e ninguém na Turquia ignora que a manifestação pró-Palestina provavelmente vai ofuscar as celebrações do centenário da república secular”, disse à Reuters Asli Aydintasbas, pesquisadora visitante da Brookings Institution, com sede em Washington.

Ela afirmou que embora os comentários de Erdogan sobre o Hamas reflitam a posição de longa data do governo turco, ele pretendia se beneficiar do sentimento anti-Israel no país para “consolidar os conservadores sunitas da Turquia”.

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