Globo omite problemas, esquece comissão de frente e piora transmissão do Carnaval do Rio

A transmissão do primeiro dia dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro neste domingo (12), feita pela Globo em seu novo esquema sem o Jornalismo, foi para a emissora lamentar. Se em São Paulo houve um potencial mostrado, quase nada de salvou na apoteose maior da festa fluminense.

Os únicos pontos positivos foram a dupla de apresentadores, com Karine Alves e Alex Escobar mais entrosados, além de Milton Cunha bem inspirado juntamente com os comentaristas Pretinho da Serrinha e Leonardo Bruno. Mas fica só por aí.

Para este ano, a transmissão do Carnaval do Rio de Janeiro pela Globo é uma parceria da área de entretenimento com o esporte, setores da emissora que são bastante flexíveis com publicidade, algo não permitido pelo Jornalismo. Tudo isso para evitar o prejuízo que se teve nos últimos anos, e que prejudica o pagamento para as agremiações.

Se em São Paulo, um estilo mais próximo do rádio foi emulado e até mostrou potencial para os dias que viram a seguir, no Rio de Janeiro foi um festival de decisões erradas e falta de informações, muito pela escolha de se ter apenas três repórteres no local. E não se faz evento ao vivo sem reportagem.

Por uma bizarra decisão editorial, a Globo omitiu os diversos problemas que escolas de samba tiveram. Quem via a transmissão oficial não soube que o desfile da Porto da Pedra quase teve uma tragédia, com uma mulher atropelada em plena Sapucaí.

Quem viu pela Globo também não conseguiu ver o momento mais belo da comissão de frente da Beija-Flor, onde um pequeno truque mágico era visto, já que a direção de imagens não mostrou toda a apresentação da abertura do desfile da escola de Nilópolis.

Se a Globo prometeu para as escolas de samba que iria mostrar o esquenta antes dos desfiles em si, isso também não aconteceu em sua totalidade.

Quem estava em casa não viu o emocionante momento da bateria do Salgueiro abrindo seus trabalhos com o clássico samba Explode Coração, com a Sapucaí inteira cantando a plenos pulmões. Na Grande Rio, sendo justo, transmitiram tudo desde o início.

A impressão que se tinha, para quem estava no sofá, era que a Globo apresentava o desfile ao vivo como um compacto editado, como aqueles que a emissora apresenta no horário da tarde para quem não pode varar a madrugada. Mas era tudo ao vivo.

De novo, a emissora falha na transmissão do Carnaval. Ao tirar o teor informativo, desagrada o nicho que acompanha de perto escolas de samba.

E ao apostar em uma “tiktokzação” da transmissão, cortando e deixando de explicar contextos, a emissora não consegue falar com quem só gosta de ver uma história bonita.

A Globo se colocou, por escolha própria, em uma grande sinuca de bico.

F5 Folha

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