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Falta de policiais nas ruas gera crise em Nova York

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Falta de policiais nas ruas gera crise em Nova York

Nova York, a cidade mais populosa e cara dos Estados Unidos, enfrenta uma crise com a falta de policiais nas ruas. O número de oficiais chegou ao nível mais baixo em três décadas pelo segundo ano consecutivo.

Atualmente, cerca de 200 agentes deixam o New York Police Department (NYPD) a cada mês, seja por aposentadoria ou demissão, conforme dados do jornal New York Post. A força policial atual conta com 33.695 agentes, a menor quantidade desde os 32.451 em 1990, segundo estatísticas do departamento e do Escritório Independente de Orçamento da cidade.

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A situação não é nova — mais de 2,5 mil agentes deixaram o NYPD em apenas dez meses de 2023. No entanto, o problema se agrava com um aumento de 11% nas aposentadorias neste ano. Os sindicatos apontam as mesmas causas: longas jornadas de trabalho, retórica antipolicial promovida por alguns políticos e a reforma penal de 2020, que muitos associam a uma sensação de impunidade e desordem.

Essa situação cria um ciclo vicioso: a criminalidade crescente leva mais policiais a se aposentarem, o que exacerba a falta de patrulhamento e, consequentemente, aumenta ainda mais a criminalidade. Com a proximidade do verão, um período historicamente violento, a situação pode se complicar ainda mais.

Desde o início do ano, 823 policiais deixaram o NYPD, dos quais 257 renunciaram antes de completar os vinte anos necessários para a aposentadoria integral. Na última quinta-feira, 27 agentes se demitiram em um único dia, muitos deles migraram para o Departamento de Polícia de Nassau, em Long Island, que oferece salários mais altos e menores taxas de criminalidade.

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Resposta dos policiais de Nova York a protestos e aumento de crimes

Desde o início do conflito entre Israel e Hamas, em 7 de outubro, o NYPD respondeu a 2,4 mil protestos, com uma média de doze manifestações diárias. Além disso, o patrulhamento aumentou em lojas e estações de metrô para conter a violência crescente, incluindo roubos, agressões, suicídios e homicídios.

Patrick Hendry destacou o aumento da carga de trabalho dos agentes: “A carga de trabalho de nossos policiais disparou nos últimos meses, e a dotação de pessoal ainda não está nem perto de acompanhar o ritmo”. Ele alertou que exigir mais horas extras dos policiais não é uma solução viável. “Espremer os policiais para que façam ainda mais horas extras simplesmente enviará mais deles correndo para as saídas”.

A Police Benevolent Association propôs um horário flexível, já em teste em alguns distritos, para proporcionar turnos mais longos, mas com mais dias de descanso. A reforma penal também foi citada como um fator de impunidade, com casos emblemáticos como o de um homem que acumulou 54 detenções, a maioria no metrô, e um jovem preso 46 vezes por roubo em 2021. Em março, o oficial Jonathan Diller foi morto a tiros durante uma parada de trânsito em Queens; os dois suspeitos tinham extensos antecedentes criminais.

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O descontentamento entre os policiais reflete-se na população. Em março, uma pesquisa indicou que menos de um terço (30%) dos moradores de Nova York estão “felizes” e apenas metade planeja permanecer na cidade nos próximos anos.

Em setembro, uma sondagem do Siena College identificou o crime como uma das maiores preocupações para 73% dos nova-iorquinos. Uma pesquisa alarmante divulgada no verão passado revelou que 70% dos habitantes temem ser vítimas de crimes.

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