Ex-reféns e familiares entram com ação em Haia contra o Hamas

O Fórum de Famílias de Reféns, juntamente com o Centro Raoul Wallenberg para os Direitos Humanos, vai entrar, na próxima quarta-feira 14, com uma ação contra o Hamas no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, em nome de todas as vítimas dos ataques a Israel, em 7 de outubro. Entre elas estão os reféns libertados, as famílias dos reféns, dos feridos e dos cerca de 1,2 mil mortos, além dos que ainda estão mantidos sob o controle do grupo terrorista.

O fato de o Hamas ser um grupo terrorista não torna a ação uma redundância, segundo ele. Isto porque o governo israelense vê as autoridades de entidades internacionais sendo omissas em defender com veemência o retorno dos reféns e condenar as brutalidades do grupo. Elas também, de acordo com suas palavras, serão cobradas.

“A ação é contra o Hamas mesmo uma vez que para as agências internacionais o Hamas é oficialmente o governo da Faixa de Gaza.”

Um avião com cerca de 100 representantes de famílias de reféns, além de sobreviventes do cativeiro do Hamas pousará na Holanda. Inicialmente, eles irão participar de uma coletiva. Também acompanham a delegação advogados criminalistas e especialistas em direitos humanos. Depois todas as documentações serão encaminhadas ao tribunal.

A iniciativa, de acordo com a assessoria do Fórum, é crucial para os procedimentos legais. Serão sublinhadas, segundo a entidade, a gravidade das acusações contra a liderança do Hamas que promoveu assassinatos, estupros e saques, entre outras atrocidades.

Proibição de entrada da enviada da ONU

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, e o ministro do Interior do país, Moshe Arbel, decidiram, nesta segunda-feira, 12, declarar como antissemita a cidadã italiana Francesca Albanese, que é Enviada Especial aos Territórios Palestinos em nome do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Ela passou a ser proibida de entrar no Estado de Israel por ter dito que “as vítimas do massacre de 7 de Outubro não foram assassinadas por serem judias, mas em resposta à opressão israelita”.

Para os dois ministros, a própria manutenção de Francesca em cargo tão relevante demonstra esta dita omissão da ONU, que deve ser cobrada por isso, segundo eles.

“A era do silêncio dos judeus acabou”, afirmaram em nota. “Se a ONU quiser voltar a ser um órgão relevante, os seus líderes devem repudiar publicamente as palavras antissemitas da ‘enviada especial’ e demiti-la.”

De acusado a acusador

TPI Haia
O Tribunal de Haia julga grupos ou pessoas por crimes de guerra ou contra a humanidade | Foto: Reprodução/TPI

No dia 29 de dezembro de 2023, a Corte Internacional de Justiça (CIJ), também em Haia, foi acionada pela África do Sul, que trouxe o Estado de Israel a julgamento por alegações de violações à Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio de 1948.

Depois de se ver como acusado, Israel agora se coloca no papel de acusador.

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