Estudo revela que PCC faz tatuagens de membros em presídios

Um levantamento feito pela psicóloga Karina Belmont Chaves para o estudo “Tatuagem na Prisão: Estigma e Identidade” revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) identifica membros da facção por meio de tatuagens e marca delatores.

O estudo de mestrado pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná foi realizado com 467 detentos da penitenciária estadual de Foz do Iguaçu e divulgado pelo portal Uol, neste sábado, 23. Ao todo, 64% dos presos possuíam tatuagens.

Os detentos usavam as tatuagens para identificar a ligação de cada um deles com a facção. O desenho mais representativo do PCC era a ordem numérica 1533 — as letras P, C e C, de acordo com a ordem alfabética da década de 1990.

Um dos presos tinha ainda uma frase marcada no corpo: “Paz, justiça e liberdade”, que está no estatuto do PCC. Alguns detentos usavam o desenho de um olho estilizado ou de uma carpa para mostrar a participação deles na facção.

Segundo o estudo, os símbolos podem mudar de acordo com a estratégia dos próprios grupos criminosos.

“Os símbolos podem ser utilizados estrategicamente num momento e serem abandonados em outro, elegendo novos na tentativa de não serem identificados”, informa um trecho do estudo. “Mudanças estratégicas que podem acontecer para evitar ou confundir as identificações feitas pelas forças policiais.”

Delatores são marcados no rosto pelo PCC

Em depoimento ao estudo, alguns delatores disseram que foram tatuados à força como punição, após terem revelados às autoridades atos praticados por membros da facção criminosa.

Um deles explicou ter revelado a policiais que os presos construíam um buraco em uma das celas para fugirem. “Esse preso havia quebrado uma regra interna. Não se pode falar de outro, delatar. [Se fizer isso], é chamado de ‘cagueta’ ou ‘X9′”, informou outra parte do estudo.

O detento contou que foi abordado por outros presos que ameaçaram o matar com uma faca. Contudo, eles “marcaram” três “pontos” em seu rosto. Depois, o preso encobriu os pontos com outra tatuagem.

“Esse preso tinha uma armadura tatuada no rosto dele”, diz o estudo. “Era muito chocante ver aquilo. Aí, para fugir do estigma de ‘delator’, ele fez aquela tatuagem por cima.”

Tatuagens do PCC podem identificar tipo de crime

Conforme o estudo, existem tatuagens que identificam os presos por crimes, como assassinato de policiais, homicídios, roubo e tráfico de drogas. No entanto, o Uol optou por não divulgar quais seriam os desenhos

“Muitas tatuagens são feitas com o uso de canetas e de maneira artesanal nos presídios”, informou o estudo. “A qualidade dessas tatuagens também demonstra um pertencimento de grupo. Ela é vista como uma linguagem de expressão coletiva e individual.”

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