Estadão critica governo Lula por uso de deboche contra Carlos Bolsonaro

O deboche do governo Lula, que, por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), comandada por Paulo Pimenta, ironizou a operação da Polícia Federal contra o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, é uma conduta de um “cinismo evidente”, “antirrepublicana”, “deplorável por definição”. A avaliação é do jornal O Estado de S. Paulo, em editorial publicado na edição desta quarta-feira, 31.

Na segunda-feira 29, data da operação contra o filho de Bolsonaro, a Secom compartilhou, no perfil do Twitter/X, a imagem de um homem que bate a uma porta, com a mensagem “toc, toc, toc”, em alusão a um discurso da então deputada Joice Hasselmann, em 2022, sobre a iminência de uma possível operação contra Bolsonaro.

“A Secom achou adequado debochar do ex-presidente Jair Bolsonaro usando, para isso, uma campanha de utilidade pública”, diz o Estadão, lembrando que, na aparência, a postagem se referia à dengue.

“A nomenklatura lulopetista poderia argumentar tratar-se de uma mera coincidência — não fosse o histórico de artimanhas produzidas pelos criativos instalados no Palácio do Planalto, algumas das quais repletas de ironia, zombaria e referências veladas à família Bolsonaro e adversários”, escreveu o Estadão.

O jornal lembrou de ao menos duas ironias usadas recentemente nas páginas oficiais do governo, como o uso da expressão “grande dia” na data em que Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral, e, da pergunta “E aí, tudo joia?”, durante a investigação sobre as joias recebidas por Bolsonaro da Arábia Saudita.

Deboche em post revela que a máquina do Estado está a serviço do partido, e não dos cidadãos, diz Estadão

À esquerda, o ministro da Secom, Paulo Pimenta, junto a Lula | Foto: Reprodução/Internet
O ministro da Secom, Paulo Pimenta, e Lula | Foto: Reprodução/Internet

Pimenta, depois da repercussão do “toc, toc, toc” no perfil oficial da Secom, admitiu a intenção de ironizar Carlos Bolsonaro e considerou absolutamente legítimo o artifício, que, segundo ele, permitiria fazer a mensagem — baseada em algoritmos — chegar mais longe.

É difícil para quem raciocina em uma linguagem analógica tradicional entender o papel dos algoritmos nas ‘janelas de oportunidades e fluxos’ que a comunicação digital precisar considerar. É como se tivesse um trem em alta velocidade passando. Se eu ficar na frente sou atropelado.…

— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) January 29, 2024

“Se essas brincadeiras no perfil oficial do governo já causam espanto, mais espantoso ainda é o próprio ministro Paulo Pimenta, da Secom, jactar-se de que se trata de método perfeitamente válido”, criticou o Estadão.

O jornal lembrou que “ironia e deboche são incompatíveis com uma comunicação pública, impessoal, republicana. Fazer referências, mesmo indiretas, a um adversário é converter canais governamentais em palanques digitais”. E conclui: “No fim das contas, o post só reafirma a ideia de que, para o lulopetismo, a máquina do Estado deve estar a serviço não dos cidadãos, mas do partido”.

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